domingo, 28 de julho de 2013

O Islã na África. A "africanização" do Islã. A "guerra santa" e a expansão árabe: Maomé, o Alcorão e o Islamismo


"Só há m Deus, e Maomé é Seu Profeta" (La illa Allah, Mohammed rasul All)

O maior continente do mundo é a Ásia, depois a  América e o  terceiro é a África, com uma extensão territorial de 30,2 milhões de quilômetros quadrados,  habitado por mais de um bilhão de pessoas, com grande diversidade em todos os aspectos. Há muitos grupos religiosos na África atual,  destacando-se o Islamismo, o Cristianismo (católicos e evangélicos) e  os cultos tradicionais dos antepassados, com seus deuses variados e seus Orixás.  

WorldBookEnciclopedia diz que o Islamismo é a religião com o maior número de adeptos na África, seguido do Cristianismo. A Enciclopédia Britânica diz que 45%  dos africanos são muçulmanos, 40% cristãos e menos de 15%  são ateus  ou seguem cultos africanos  (Wikipédia, 2013). África tem uma história rica em nações, reinos, crenças, e diversidade natural e humana.  Ao longo de ocupações, conquistas e domínios estrangeiros, a diversidade religiosa aumentou. O mapa abaixo nos mostra que o Islã está em todos os países africanos, com maior concentração  na África do Norte ou África Islâmica, enquanto avança nas savanas da África  Sub-Saariana, situada abaixo da linha do deserto do Saara, tanto na costa ocidental como na oriental. A legenda  do mapa indica o Percentual da População Muçulmana na África, em 2005. No 2º mapa, a cor verde indica os países do Velho Mundo (África, Ásia, Europa)  onde se pratica o Islã. O islamismo cresce na África, mas gera divergências  e conflitos entre as religiões islâmica e cristã,   como ocorre  na Tanzânia, Nigéria e Costa do Marfim.  Além dessa diversidade religiosa, a expansão do islamismo teve importantes conseqüências para a história do continente, como por exemplo, o registro das  primeiras fontes escritas sobre as sociedades africanasproduzidas por religiosos e mercadores  muçulmanos


A Chegada do islã na África: a “ islamização da África” e "africanização" do Islã




O Islã  ou islamismo chegou à África logo depois de seu surgimento, e início da expansão muçulmana nos séculos VII e VIII, quando  muçulmanos vindos  da Península Arábica  em direção ao Magreb (ocidente, em árabe), chegaram ao Egito e ao Marroco, países do norte do continente africano, que logo foi totalmente conquistado.  Durante a fase inicial de  expansão, em que o islamismo se limitou ao norte, formaram-se unidades políticas inspiradas no Mundo Árabe, com  emirados e califados. Além de adotar a organização  politica e a religião islâmica, outros aspectos da cultura árabe   foram incorporados  à cultura dos povos do norte da África: o idioma árabe, falado ao lado de outras línguas dos colonizadores europeus, como o inglês, o francês, o italiano, espanhol etc. Além disso,  os árabes adotaram o comércio de escravos  na África durante o período medieval, quando lá chegaram, fortalecendo o poder de seus exércitos e suas conquistas territoriais.
  
Depois de dominar todo o norte da África, alcançaram as terras abaixo da Linha do Deserto do Saara: a chamada África Sub-Saariana.  Mas, ao sul do Saara, nas costas ocidental e oriental, a expansão do Islã teria ocorrido basicamente em termos religiosos, ou seja, a conversão à fé,  mas sem  adotar a cultura e a língua árabes, como ocorreu no norte. Abaixo do Saara,  o principal vetor do avanço da religião muçulmana foi o comércio das caravanas dos mercadores do deserto, deslocando-se em seus camelos. 



Por outro lado, ao mesmo tempo que o islamismo crescia, sofreu modificações e influências durante a conversão dos diversos e diferentes povos africanos. Este processo de mudanças é conhecido como  a "africanização" do Islã, ou seja, os africanos se convertiam, mas levavam para o Islã traços de suas culturas e crenças originais. islamização da África, teve portanto, esta contrapartida: o processo de  africanização do islã.  Significa que as pessoas se apropriam do islamismo a partir do filtro de suas próprias culturas, sem se prender a doutrinas e práticas do Alcorão. Os novos crentes valorizam suas identidades étnicas e tribais, e  sequer entendem o que é ser africano, na acepção de outros agentes. Para conhecermos um pouco dessas Duas Áfricas, começaremos pelos seus aspectos naturais e humanos, que tem no deserto do Saara, ao norte,  o seu  divisor natural, enquanto o divisor  cultural é formado pelos aspectos humanos, em particular, a religião. Daí, a divisão do continente em duas partes:


1) África Islâmica, também chamada de  África Mediterrânea ou África do Norte ou África  Setentrional, situada ao norte do deserto do Saara. É composta por cinco países: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito e o território do Saara Ocidental, ex-colônia da Espanha. São banhados pelo Mar Mediterrâneo, que os separa da Europa, e pelo Oceano Atlântico; o clima é desértico. A maioria dos habitantes é de origem árabe e seguidora do islamismo, mas tem muitos descendentes dos ex-colonizadores europeus. Apresentam características físicas e humanas semelhantes às das nações do Oriente Médio.  Apesar de possuir problemas, essa porção do continente detém os melhores indicadores socioeconômicos da África
 Área do Magreb: Mauritânia, Saara Ocidental,
Marroco, Argélia,  Tunísia, Líbia
 As principais fontes de riquezas da África do Norte  vêm  do petróleo e do  gás natural, além de vários outros minérios: fosfato, ouro, cobre etc.; o  turismo, com destaque para o Egito,  que recebe milhões de visitantes por ano, para visitar as pirâmides e outras ruínas e símbolos da civilização egípcia, bem como o Marrocos. A agricultura se desenvolve nas margens do  Rio Nilo, tal como acontecia no tempo dos faraós, reis do antigo Egito,  e na área denominada Maghreb ou Magreb região  do noroeste da África, que  “em sentido estrito, inclui Marroco, Saara Ocidental, Argélia, Tunísia e Líbia.  O Grande Magreb inclui também a Mauritânia e a Líbia. Na época do Império Romano, era  conhecido como África menor” (Wikipédia).

2)  África Subsaariana - compreende   toda a área localizada ao sul do Saara, e corresponde a mais de 75% do continente. Com população majoritariamente negra, a África Subsaariana apresenta grande diversidade cultural, e sua pluralidade religiosa agrega  cristãos, muçulmanos (principalmente na região do Sahel), judeus, além de várias crenças tradicionais. Os diversos grupos étnicos têm seus dialetos, danças e costumes próprios, somando para a riqueza cultural da África.
Região do Sahel (sahel vem do árabe sahil, que significa “costa” ou “fronteira”). É a região da África  situada entre o deserto do Saara e as terras mais férteis ao sul, indo do Oceano Atlântico  ao Mar Vermelho, formado pelos seguintes países:  Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger, parte do norte da Nigéria, Chade, Sudão, Etiópia,  Eritréia, Diibouti e a Somália. O termo Sahel, também é usado  para designar os países da África Ocidental. 
É uma área de tensões permanentes por causa do crescimento demográfico galopante e as rivalidades tribais. Diversos povos e Reinos  se estabeleceram na África, como por  exemplo: 
Mesquita na Nigéria, África
1) os Bérberes, nômades do deserto do Saara, enfrentavam  tempestades de areia e a falta d’ água para atravessar com suas caravanas, vendendo  objetos de ouro e cobre, sal, artesanato, temperos, vidro, plumas, pedras preciosas etc.  Paravam nos  oásis para obter água, sombra e descansar. O principal meio de transporte era o camelo, que graças a  sua resistência e adaptação ao meio desértico, ajudou a unir povos e culturas.   
2) Os bantos - habitavam  o noroeste do continente, atual Nigéria, Mali,  Mauritânia e Camarões, que  ao contrário dos bérberes, eram agricultores, conheciam a metalurgia, e chegaram a formar um grande reino – o
 Reino do Congo,  no noroeste da África.


O Jihad, a "guerra santa" e a expansão árabe


Muitas pessoas   perguntam o  que é árabe, muçulmano, islâmico...?  Vamos entender neste estudo.  Os árabes e sua religião se espalharam pelo mundo, expandiram seus domínios e formaram um grande Império, durante o Jihad, a “Guerra Santa” contra os infiéis. Foi  uma guerra de conquista de territórios, mas usava  como justificativa a propagação da fé religiosa, o monoteísmo, ou seja, a crença em um único Deus chamado Alá.  
A civilização árabe tem origem na Península Arábica, uma vasta região localizada entre  a Ásia e a África, separada da Europa pelo Mar Mediterrâneo.   O clima é muito quente e seco, e a  maior parte do território é formado por desertos, com seus oásis (fontes de água natural).
Cristãos e muçulmanos protegem Igreja Cristã
 de ataque no Egito, país do Norte da África

O Oriente Médio,  o sudeste asiático e algumas regiões da Índia  e da China, a áfrica e a  Península Ibérica formam as conquistas de relevâncias do chamado Mundo Islâmico.
  
Após conquistarem o norte da África, os árabes atravessaram o estreito de Gibraltar, na entrada do Mar Mediterrâneo,  e chegaram a Portugal e Espanha, países da  Península Ibérica, no sul da Europa, onde ficaram por quase oito séculos.  Conclui-se que a cultura árabe  tem como principal característica a crença no islamismo, que foi  assimilada por diversos outros povos, motivo para se admitir a existência do chamado Mundo Árabe. 
A Arábia não tinha unidade política, sendo habitada por povos de  várias tribos, onde a maioria vivia como beduínos nômades, deslocando-se  de um lugar para outro em caravanas comerciais, em seus camelos.  Os árabes eram politeístas, ou seja, adoravam vários deuses,  cerca de 360 divindades,  em especial a Pedra Negra, uma espécie de meteorito. Mas no ano 622, século VII da Era Cristã,  esses povos uniram-se em torno de uma religião fundada por Maomé,  chamada Islã ou Islamismo ou Muçulmanismo ou Maometismo. É monoteísta, ou seja, adora a um único Deus, a quem eles chamam de Alá, o mesmo Deus que os cristãos e os judeus chamam de Jeová. Há outras  semelhanças com a fé cristã e a fé judaica, religiões monoteístas.
Domínio árabe, chamados   mouros, 
em Portugal e Espanha ( 711-1492)

Atualmente, o Islamismo é a religião mais praticada no mundo, ultrapassando o Catolicismo Romano.   

A  expansão muçulmana tem início na Idade Média,  e prospera após a morte de Maomé (632- 732), século VIII, que em árabe se diz Al Fatah (“a abertura”). 

A queda do Império Romano do Ocidente,  por volta do ano 476 (século V),  favoreceu as conquistas de territórios pelos árabes no  chamado Velho Mundo (Europa, Ásia e África). O  último Imperador de Roma, Rômulo Augusto, foi deposto por  Odoacro, rei da tribo germânica dos hérulos,  um dos povos bárbaros que invadiu o Império, deixando livre o caminho para o surgimento de outros Impérios. 

Com a morte de Maomé, a liderança do Estado árabe foi entregue a líderes conhecidos como Califas (634 - 660), que exerciam as funções  de chefe político, militar e religioso. Com esses califados,  o Islamismo conquista o norte da  África, de onde seguiram para  a Península Ibérica, na Europa, países da Ásia, onde chegaram à Índia, à China, depois sudeste asiático e África Subsaariana. 

Forma-se o Império Árabe em terras do Velho Mundo, assim chamado por formar as áreas conhecidas até as Grandes Descobertas Marítimas do século XV, quando a América ou Novo Mundo foi descoberta por Cristóvão Colombo, em 12 de Outubro de 1492 (século XV).  

Maomé, o Alcorão, a Caaba ou Kaaba, o  Monte Hira,  o Ramadão ou Ramadã e o Islamismo 

Escrita  árabe
Texto do  Corão
O  Profeta Maomé (Muhammad bin Abdallah, em árabe) nasceu em torno do ano  570 d.C, na cidade de  Meca,  Arábia Saudita, país asiático.   Tinha por hábito retirar-se para orar e meditar nos montes perto de Meca. Em 610 isolou-se numa das cavernas do Monte Hira, onde por mais de três anos relutou em defender a crença no Deus único, como lhe ordenava em aparições, o anjo São Gabriel, dizendo-lhe ser necessário defender e propagar a crença monoteísta entre os árabes, praticada pelos judeus e cristãos. Maomé aceita o desafio e no ano 622 d.C., conclui a pacificação das tribos árabes, unindo-as em torno da fé, episódio conhecido como Hégira (“emigração”, “fuga”), que marca o início do calendário muçulmano.

Instrumentos da escrita árabe
Surge daí o Islã, ou islamismo que em português significa “submissão”. O seguidor do Islã se chama muslin (muçulmano = “fiel", "crente”). O Livro Sagrado do Islã é  o Al Qurán (Corão ou Alcorão), que quer dizer- “A Recitação”. Maomé passou a ser considerado o “selo dos profetas”, ou seja, o que veio depois de todos os profetas judeus e cristãos, religiões monoteístas, ou seja, adoram a um único Deus. Os islamitas, também monoteístas,  consideram  Cristo como um profeta. Seus templos (igrejas) são chamados de Mesquita. 

No final do século VII, a cidade de Meca, na atual Arábia Saudita, no continente asiático, se tornou a  cidade mais importante e centro de peregrinação religiosa dos muçulmanos, pois ali se encontra  a Mesquita de Al-Haram, em cujo pátio fica a Caaba ou Kaaba, a Pedra Negra.  A Mesquita  tem capacidade para 300 mil fieis, que cercam a Caaba, com seu  formato de cubo. Para os muçulmanos de todo o mundo é o local mais sagrado da terra.   É chamada  Caaba porque tem a  forma de um  cubo (ka’b,  em árabe).  As origens da Pedra é um misto de lenda e de santidade. 


Fieis circundam a Caaba, dentro da
Mesquita de Al-Haram, Meca
Sua  história recente não é muito clara, mas sabe-se que quando Muhammad conquistou Meca em 630, ele destruiu os ídolos pagãos, convencendo o povo a adorar a um só, ou seja, adotar o monoteísmo, mas manteve esse símbolo, por exigência das tribos. Desde então, os muçulmanos concentram sua devoção na Caaba. Kaaba ou Cube (cubo). A estrutura de 4 colunas tem 10,5 m de largura, 12,19 de comprimento  e 15,24 m de altura. Em uma das quatro colunas fica a Pedra Negra.  A parte  interna  é vazia, exceto pelas  colunas que sustentam o teto e alguns lustres de prata e ouro. A Pedra está sobre uma plataforma  coberta por um tecido de seda preto, bordado a ouro com versos do Alcorão, o kiswah, embutida no canto oriental da Caaba, a um metro e meio acima do solo. A porta de entrada para a Caaba tem  2,13 metros de altura. É na direção desse local que os muçulmanos se viram cinco vezes por dia para rezar. É objetivo de todo muçulmano devoto fazer uma peregrinação até a Caaba, em Meca, pelo menos uma vez na vida. Os peregrinos devem contornar e beijar sete vezes, antes de completar a peregrinação a Meca.

Para os geólogos, trata-se de  um meteorito, mas a tradição diz que a Pedra Negra foi dada a Abraão pelo anjo São Gabriel. Caaba foi reconstruída várias vezes, em diferentes épocas, a mais significativa  na época do avô do profeta  Maomé.  Finalmente, é importante entender que os muçulmanos não adoram a Caaba ou suas vizinhanças, mas respeitam como símbolo de fé.


As cinco obrigações ou deveres dos Muçulmanos. Os 5 Pilares do Islã

A pacificação das tribos em nome de Alá, deu origem à  Ummah (Comunidade Muçulmana), unida pelo  cumprimento das cinco obrigações ou deveres dos Muçulmanos, que formam os 5 Pilares da religião


1) todo muçulmano deve prestar o testemunho (chahada), ou seja, professar publicamente que Alá é o único Deus e Maomé é seu profeta; 


2) fazer a oração ritual (salat) cinco vezes ao dia (ao nascer do Sol, ao meio-dia, no meio da tarde, ao pôr do Sol e à noite), com a cabeça voltada em direção a Meca  e prostrado com a fronte por terra; 


3) dar a esmola legal (zakat) para a purificação das riquezas e a solidariedade entre os fiéis;  


4) jejuar do nascer ao pôr do Sol, durante o nono mês do calendário muçulmano: o Ramadão ou Ramadã  


5) fazer uma peregrinação (hadjdj) à Meca ao menos uma vez na vida, seja pessoalmente, se tiver recursos, ou por meio de procurador, se não tiver. 


Para complementar seu estudo, assista  ao vídeo, com duração de 11 minutos. Muito bom. 
      https://www.youtube.com/watch?v=l-gd_rxo4I0

Referências e sites consultados em 20/07/2013
COTRIM, Gilberto. História Global Brasil e Geral. Vol ùnico. 3ª Edição. Ed. Saraiva, 1998. 
História da África   http://www.suapesquisa.com/afric/
Lima, Claudia. Antigos Impèrios Africanos
http://www.claudialima.com.br/pdf/ANTIGOS_IMPERIOS_AFRICANOS.pdf
As Duas Áfricas http://www.brasilescola.com/geografia/as-duas-africas.htm

Islamismo na África
http://pt.wikipedia.org/wiki/Norte_de_%C3%81frica
A Região do Sahel         http://pt.wikipedia.org/wiki/Sahel
Centro Islâmico no Brasil. O Islam     http://www.arresala.org.br/text.php?op=5
A Caaba e a Mesquita de Al-Haram
http://viagem.hsw.uol.com.br/caaba-al-haram.htm
A Caaba - a casa sagrada de Deus
http://www.islamreligion.com/pt/articles/3282
Imagem da Caaba , a pedra negra
GotQuestions.org? O que è o islamismo                   

2 comentários:

  1. Artigo fantastic! Muito bem pesquisado e muito instrutivo. Parabens! Great blog!
    Solange Nelson

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  2. Thank you very much, girl! Fico muito honrada e feliz com este elogio, vindo de ti, a mulher dos "Sete Mares", que conhece as diversas partes do mundo, incluindo o Oriente Médio, e não é nenhuma leiga sobre o Islã. Volte sempre e recomende-nos aos teus contatos.
    Bjs !

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